Manifesto


MANIFESTO BEAT 2026

D.N.N

A Beat é NADA. TUDO é Beat. Nada é DADA. Hugo Ball criou um todo com NADA dançando no Cabaret Voltaire enquanto Tristan Tzara resmungava por tudo e por NADA. Cérebros pós-guerra não definharam, porque encontraram DADA. Os nossos de agora parecem PAPA.

Depois, o VAZIO entrou por Brooklyn adentro enchendo o NADA que havia. Sem alento, mas com talento que andava aos pares. As noites que Ginsberg pintava na máquina de escrever continuam iguais – jovens gritando e cantando em telhados sob a influência… infelizmente, agora distraídos pela diversão. Kerouac chamar-nos-ia de CACHORROS por lho termos comido o trabalho. Ginsberg usaria, para connosco, um palavreado que levaríamos horas a dissecar apenas para sentirmo-nos severamente insultados. Chanfrados!

Beat. (pausa)

Burroughs, encharcado de morfina, estaria a cagar-se por termos desmontado as pirâmides para vender, nós, os faraós viciados, que apenas queremos comprar a próxima e a próxima e a PRÓXIMA pedra. REDES SOCIAIS. NOVO TELEMÓVEL. CARTÃO DE CRÉDITO FODIDO só para aquele post no INSTA.

O absurdo da sociedade ocidental tornou-se quotidiano, tornou-se dadaísta – uma pintura, uma obra de arte de merda, que ninguém percebe a olho nu. A corrupção está na cola por detrás da colagem deste belo mural a que chamamos de democracia. Esperança é a nossa lotaria.

Beat (respira)

Lana, Jim Morrison, Ginsberg, Burroughs, Kerouac – Obrigado, WHITMAN! O de barba negra colocou-te num supermercado e nunca mais te tirou de lá, COITADO AVÔ. Já os nossos idosos flutuam porta fora dos mercados… “POÇA, deve ser das guerras!” “Não, não, avó. Vó, vó, ouve, ELES imprimem dinheiro como quem faz preservativos!” INFLAÇÃO. Tudo nos é DADO e enfiADO, para não falarmos de boca cheia.

Beatniks, bem-vindos ao novo CABARÉ!

SE QUISERES PARTILHA, SE NÃO, GUARDA CONTIGO.

ABRIL – 2026 – XXI